segunda-feira, 12 de julho de 2010

Filha

Acordas sempre sorrindo
Tua alegria é um simples vestido
Enches meu dia de alegria
Teus passos e dançinhas são lindos

Sempre tens um abraço pronto
És cheia de carinho e beleza
Passas o dia feliz, cantando
Estás crescendo rápido, que encanto!

Eu te amo, filha
E aprendo contigo o poder da felicidade
Quero sempre estar ao teu lado
Acompanhar cada momento teu me realiza
És um presente de Deus
Te amo minha Elisa!

quarta-feira, 7 de julho de 2010

POÉTICA, Manuel Bandeira, marquei em negrito e itálico o que achei de mais bárbaro e impressionante nas ideias do poeta

Poética

Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário
o cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja
fora de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante
exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes
maneiras de agradar às mulheres, etc
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare

- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação